Teoria Clássica da Administração

Pensar em Administração é lembrar-se de sua importância como a ciência que estuda e sistematiza as práticas que são utilizadas para se administrar, ou gerir, algo – podendo ser pessoas, recursos, negócios, etc. 

O importante nessa gerência é compreender que há metas estabelecidas, e por conta da organização pré-definida, a administração fará de tudo para que sejam alcançadas. 

A área da Administração consagra-se com conhecimentos que se fundamentam em princípios, normas e funções criados para disciplinar os fatores de produção, visando suas metas finais. Dentro de uma empresa, essa estrutura tem grande importância, afinal, são as metas que definem o crescimento dos negócios.

Portanto, a área Administrativa em empresas de qualquer natureza, visará conduzir aquilo ou aqueles que estão sendo administrados, a terem melhor desempenho em nome de melhores resultados e performance.

Para isso, será preciso partir de estratégias contando com ações e processos, além de controles necessários para sua manutenção.

Mas antes de aplicar a Administração em qualquer área empresarial, ou organizações, é importante entender a base de seus princípios.

Neste blog, falaremos o que é a Teoria Clássica da Administração, como ela funciona e quais são suas principais funções.


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O que é a Teoria Clássica da Administração


O termo Teoria Clássica da Administração foi idealizado pelo francês Henri Fayol, um engenheiro e autor do livro “Administração Industrial e Geral”, editado em 1916. 

Também conhecido como Fayolismo, Teoria Clássica da Administração é uma escola de pensamento administrativo que tem como característica a ênfase na estrutura organizacional pela visão do homem econômico – conceito teórico em que os homens são completamente racionais, e sempre tomam decisões financeiras com base na razão – e pela busca da máxima eficiência.

No livro de Fayol, é possível encontrar 14 Princípios da Administração que ajudaram a formar o que ficou conhecido como Teoria Administrativa.

Os estudos de Fayol eram paralelos aos estudos do estadunidense Frederick Winslow Taylor, que ficou conhecido por desenvolver o Taylorismo um sistema de gestão de trabalho com base em inúmeras técnicas que aproveitavam ao máximo a força de trabalho contratada. Isso porque ambos defendiam princípios parecidos, com base na experiência que tinham na alta administração.

A diferença entre ambos estava no modo como cada um enxergava como deveriam ser estruturados os negócios. Taylor focava na produção e na operação em busca de resultados e quantidade produtiva, enquanto Fayol tinha uma visão generalista com resultados finais na produção.

Muito embora Taylor tenha sido muito renomado por conta da Administração Científica, Fayol ganhou destaque quando sua obra foi publicada nos Estados Unidos.

Isso aconteceu porque a obra sofreu bastante críticas em relação à manipulação dos trabalhadores através de incentivos materiais e salariais, além da pressão incompatível em relação à responsabilidade.

Por conta disso, muita gente deixou de conhecer seus Princípios Básicos, passando a dar atenção apenas ao Taylorismo.

Como funciona a Teoria Clássica da Administração


A Teoria Clássica da Administração funciona a partir de 14 princípios básicos que foram criados para complementar o Taylorismo, são eles:

  1. Divisão do trabalho: com a divisão do trabalho dentro de uma empresa, os colaboradores podem se tornar mais eficientes na entrega de atividades, melhorando a produção;
  2. Autoridade e responsabilidade: Administradores e líderes devem ter autoridade para comandar, mas essa autoridade deve vir com responsabilidade que garantem que o trabalho seja feito;
  3. Disciplina: deve haver hierarquia. Os subordinados devem obedecer às instruções de seus superiores, e os gerentes devem ter a habilidade de instigar disciplina através de punições;
  4. Unidade de Comando: deve haver apenas um líder para cada funcionário;
  5. Unidade de Direção: cada grupo de trabalho ou departamento que está trabalhando com os mesmos objetivos será direcionado pelo mesmo líder;
  6. Prevalência dos interesses gerais: o interesse de cada funcionário é subordinado aos interesses gerais da organização;
  7. Remuneração: a remuneração é usada para incentivar a performance do trabalhador. A compensação pode ser financeira ou não;
  8. Centralização: as tomadas de decisões devem ser centralizadas nos gerentes;
  9. Ordem: deve haver regras pré-estabelecidas, padrões e responsabilidades para o ambiente de trabalho;
  10.  Hierarquia: deve haver respeito à autoridade de hierarquia que coloca trabalhadores abaixo de gerentes;
  11.  Equidade: a organização deve funcionar de acordo com os princípios da justiça. Funcionários devem ser leais e devotos à empresa;
  12.  Estabilidade dos funcionários: é importante não haver alta rotatividade de trabalhadores na empresa. Isso fará com que os funcionários possam aprender seus trabalhos e obrigações;
  13.  Iniciativa: gerentes devem promover iniciativa para estabelecer planos e cumprí-los;
  14. Espírito de Equipe: estabelecer senso de pertencimento dentro da organização promove equidade e moral entre funcionários.

Estes foram 14 princípios básicos de Fayol. Eles podem ser relacionados com os princípios de Taylor como complemento.

Essa era a realidade do cotidiano administrativo de Fayol que foram definidos através de testes dentro do que funcionava, ou não. Focando suas habilidades administrativas e técnicas, ele pôde listar 14 Princípios da Administração.

Principais Funções da Teoria Clássica da Administração


Durante o período de estudo de Taylor, suas experiências generalizaram suas conclusões de maneira que sua teoria seguiu um caminho de estrutura que crescia debaixo para cima.

Isso aconteceu em um primeiro momento dos seus estudos em que salientava em seu livro Shop Management, que uma boa Administração deveria pagar boa remuneração financeira e ter custos unitários na produção. 

Para isso, também deveria ser aplicado métodos científicos de pesquisa e experimentos para o problema global – assim seria possível criar padrões para o controle das operações.

Ou seja, os empregados deveriam ser cientificamente colocados em serviços ou postos onde os materiais e as condições fossem cientificamente selecionadas, assim as normas seriam cumpridas, os trabalhadores adestrados de acordo com a ciência, aperfeiçoando suas aptidões.

Por fim, seria cultivado um relacionamento íntimo e cordial de cooperação entre a Administração e os funcionários, garantindo funcionamento do ambiente para a aplicação dos princípios que Taylor mencionava.

Em um segundo momento, em 1911, quando Taylor lançou o livro “Princípios da Administração Científica”, sua conclusão foi de que havia necessidade de estruturação geral para acompanhar o trabalho operário nas empresas. 

Foi assim que nasceu a Administração Científica, trazendo três males que consistiam em vadiagem sistemática por parte dos operários, desconhecimento por parte da administração e falta de uniformidade nos processos de trabalho.

Por conta disso, Fayol veio com sua visão que engloba as funções universais da Administração, ou seja:

  • Prever
  • Organizar
  • Comandar
  • Coordenar
  • Controlar

Com um conceito mais gerencial e em busca de resultados finais na produção, Fayol complementou a Administração Científica de Taylor com a Teoria Clássica.

Funções do Administrador e da Empresa na Teoria Clássica da Administração


Segundo a Teoria Clássica da Administração, administradores se tornarão eficientes em seus deveres caso sejam capazes de praticar cinco elementos essenciais:

  1. Planejar: é indispensável que haja metas de curto e longo prazo para o futuro de seus negócios. No Fayolismo, o planejamento é o guia para o sucesso.
  2. Organizar: auto organização é um elemento de muita importância para o futuro da empresa. Todos os detalhes devem ser levados em consideração.
  3. Comandar: permite que os funcionários possam realizar suas tarefas. Acredita-se que as relações de hierarquia serão seguidas e perfeitamente definidas;
  4. Coordenar: a obrigação de implantar planejamento seria inviável sem coordenação das tarefas e de todos os funcionários dentro da empresa, focando no alcance das metas traçadas;
  5. Controlar: estabelecer padrões e medidas para desempenho dos trabalhadores, assegurando que as atitudes sejam compatíveis com o esperado. Controle de tarefas permite saber que tudo está sob controle.

Para Henri Fayol, Administradores devem seguir estas 5 funções dentro de empresas para encontrar sucesso dentro de seus negócios.

Essas funções foram definidas após a definição de seus 14 Princípios Básicos, mostrando que as 5 funções devem funcionar como apoio à liderança e à companhia em nome das regras administrativas para um bom funcionamento com base na Teoria Clássica Administrativa.

Conclusão


Em conclusão, podemos observar que a Teoria Clássica Administrativa pode ser bastante polêmica, como pudemos observar anteriormente neste texto. A maneira como Henri Ford lida com os males observados por Frederick Taylor foram alvo de muitas críticas para a sociedade européia até que a obra fosse, enfim, publicada nos Estados Unidos.

Além disso, também devemos interpretar que este é um material que foi publicado em 1916, ou seja, mais de 100 anos atrás. 

Hoje muitas coisas mudaram, especialmente no Brasil, onde há regras trabalhistas que protegem os colaboradores para que suas horas de trabalho sejam pagas com justiça e suas jornadas de trabalho sejam dentro do que é permitido pela lei. 

Mas isso não significa que a Teoria Clássica Administrativa deve ser um material que deve ser ignorado. 

Henri Fayol trouxe uma grande contribuição para a sociedade com sua obra. Assim como outros estudiosos do passado, alguém tinha que começar em algum lugar para que pudéssemos amadurecer os estudos e evoluir as tendências junto com o desenvolvimento do mundo e da sociedade.

Podemos destacar alguns pontos positivos nos estudos de Fayol, dentre eles:

  • Trabalho em equipe;
  • Início do pensamento ágil dentro de empresas;
  • A percepção de que a Administração é um processo contínuo;
  • Iniciativas de recursos humanos, lembrando que isso surgiu antes do RH existir, investindo na felicidade do trabalhador para que ele seja mais produtivo dentro da empresa.

Por mais que haja pontos que parecem antiquados – e que devem ser, afinal, é uma obra de mais de um século de idade, é importante pensarmos que há sua contribuição para a sociedade. E como todo processo de aprendizado, devemos tirar o melhor de seus ensinamentos para nosso desenvolvimento.